sábado, 23 de agosto de 2014

Evolução de filhote de pássaro resgatado e sua devolução à natureza

Recentemente um veterinário postou no Imgur uma história digna de um post por aqui.

Ao caminhar para ir ao trabalho ele se deparou com um filhote de passarinho no chão, procurou o ninho para coloca-lo de volta e nada, então decidiu levar a pequena ave para casa e cuidar dela até que estivesse apta para voltar a natureza. É importante dizer que se um dia você encontrar um pássaro recém nascido fora do ninho, deve-se colocar ele de volta sempre usando luvas ou um pano, porque há um mito de que o cheiro humano no filhote faz com que os pais os rejeite. Devo salientar também que a reabilitação de animais selvagens só pode ser realizada por quem entende, já que são inúmeros cuidados que nós, pessoas comuns, não sabemos dar.


Agora então vou contar a história que tinha tudo pra dar errado, mas que no final vai te colocar um sorriso no rosto. O veterinário fez uma espécie de diário contando toda a evolução do passarinho dia a dia. Acompanhe:


Dia 1 – Essa foto foi tirada logo quando o encontraram, tanto que ele estava com algumas casquinhas do ovo e membranas secas. Estava muito claro de que ele havia acabado de nascer.


Dia 2 – Pássaros bebês geralmente são todos esquisitinhos, né? Mantiveram a ave em uma incubadora, controlando cuidadosamente a umidade e temperatura. Decidiram que era uma fêmea, (apesar de ser extremamente difícil de saber o sexo) e colocaram o nome de “Dumpling”. Todos os filhotes são parecidos, então para saber  a espécie era preciso esperar as penas crescerem.


Dia 3 – Pássaros bebês comem muito! A alimentaram com grilos, larvas de farinha, minhocas, insetos e também com uma fórmula líquida para pintinhos disponível no mercado. Ela era alimentada a cada 30 minutos durante 14 horas, simulando o que teria se estivesse na natureza. Imagine o que isso significa! Esse era apenas um filhote, agora pensem que a maioria dos passarinhos tem ninhadas de 2-5 filhotes. A quantidade de insetos que os pais precisam pegar para alimentar seus filhotes (e eles próprios) é enorme. Assim como os pais passarinhos não alimentam seus filhotes durante a noite, o pessoal que cuidou de Dumpling também não o fez. Isso é o oposto de muitos bebês mamíferos que precisam ser alimentados regularmente.


Dia 4 – É incrível ver o desenvolvimento das penas das asas em apenas alguns dias. Além disso, ela tinha um moicano fino engraçado nas penas. No dia 4 ela começou a gritar para ser alimentada a cada 30-45 minutos. Uma nota interessante: vejam como os instintos são fascinantes. Mesmo com a falta de coordenação e os olhos ainda fechados, ela sabia o suficiente para fazer xixi em um canto do ninho e cocô do outro lado, para não sujar o lugar que ela iria dormir.


Dia 5 – No dia 5, Dumpling foi capaz de sentar com mais estabilidade. Observem as mudanças nas penas em mais 24 horas! Agora ela está começando a parecer um pássaro. Hoje seus olhos começaram a abrir.


Dia 6 – Aqui está uma bela foto que mostra o desenvolvimento contínuo das asas e penas. Percebam que elas estão envoltas em uma “bainha cornificada”. Assim que as penas chegarem ao tamanho final, essa bainha vai se desintegrar fazendo com que o passarinho consiga abrir totalmente as asas.


Dia 7 – Durante a noite as bainhas das penas caíram e – tcharã – eis um pássaro! Reparem que ela tem um dedo lateral dobrado na perna esquerda, mas não tem muito o que ser feito sobre isso em um pássaro desse porte. A pequena dificuldade não irá atrasa-la, de qualquer modo.


Dia 8 – "ME ALIMENTE, HUMANO". Nesse estágio ela já está comendo três grandes grilos + minhocas a cada horário de alimentação.


Dia 9 – A essa altura os cuidadores já pararam de usar a incubadora, já que agora seu corpo está cheio de penas e sua temperatura corporal pode ser regulada por conta própria. Os tufinhos de pelos na cabeça e a expressão de mal-humorada dos pássaros filhotes são hilárias.


Dia 10 – Os cuidadores a colocaram em uma gaiola convencional, o que lhe deu mais lugares para explorar.


Dia 11 – Hoje ela foi capaz de pousar oficialmente pela primeira vez! Definitivamente um grande passo na direção certa . Como ela ainda não tem uma cauda formada, o equilíbrio ainda não é aquelas coisas, mas a força nos pés ajudou a manter-se firme no poleiro.


Dia 12 – Seus cuidadores dizem que ela era um pássaro muito doce, que adorava ficar empoleirada na mão, desde o início. Ao fundo da foto vocês podem ver que brotaram algumas sementes de milho e a partir daí introduziram na alimentação dela para já se familiarizar com a variedade enorme de alimentos que terá na natureza. Nesse ponto os cuidadores já a estavam alimentando a cada 2 horas, além de esconderem minhocas entre as forragens na gaiola.


Dia 13 – Quase duas semanas de incubação e agora ela está conseguindo se empoleirar muito bem. Percebam a diferença na sua força e equilíbrio comparado ao dia 11. Suas pernas estão mais eretas, mostrando uma postura ótima durante o pouso.


Dia 14 – Ela está começando a parecer mais madura. O bebê de 14 dias atrás agora está se transformando em uma bela ave.


Dia 17 – Aqui está ela em uma gaiola maior. Os criadores colocaram ramos de plantas recém cortados para que ela entenda a variedade de opções de folhas e galhos que tem na natureza e ir se familiarizando. Nesse dia ela estava pulando e voando ao redor da gaiola como uma profissional. Nota para as pessoas que possuem aves de estimação: é muito importante ter uma variedade de poleiros. Os melhores são ramos de árvores não-tóxicas. Isso é ótimo para a saúde do seu animal de estimação.



Dia 22 – Os cuidadores começaram a colocar a gaiola no deck para ela ter contato com vento, sol e outras condições climáticas. Outras aves apareceram para comer e isso foi ótimo para interação e saber que existem outros iguais a ela.


Dia 23 – Essa é uma das imagens preferidas da pessoa que postou essa história no Imgur, e a minha também. Dá para ver as penas maravilhosas dela! A essa altura já conseguimos identificar a espécie: um pardal de coroa branca.


Dia 25 – Foto de outro ângulo dela, onde dá para ver a padronização das penas, perfeitas para a camuflagem entre as árvores.



Dia 27 – A essa altura ela não queria mais comer grilos e sua dieta era à base de sementes e minhocas. Ela também estava comendo sozinha, na verdade ela não queria mais ser alimentada pelos cuidadores, o que era um bom sinal.


Dia 29 – Ela adorava os ramos nossos que os cuidadores colocavam. Uma grande parte da sua alimentação na natureza são botões das árvores, então quando solta ela já sabia mais ou menos o que procurar.


Dia 33 – Nesse ponto ela já estava totalmente pronta para ir embora, mas na região houveram dias de tempestades. As pessoas que a salvaram decidiram então esperar mais uns dias para que ela tivesse mais chances.


Dia 36, o dia – Após tempestades na noite anterior, dia 36 amanheceu muito lindo. Confiante de que o tempo ia ser bom por vários dias e que a chuva recente lhe daria muita água e oportunidades de alimento, decidiram que esse seria o dia perfeito para coloca-la na natureza! O local escolhido foi a 1km de onde ela foi encontrada, pensando que na região haveriam outros da mesma espécie.


Tchau, Dumpling! – Ao abrirem a porta da gaiola, ela recuou. Depois de alguns minutos pulou para fora e voou diretamente para uma árvore. Ela não ficou assustada em nenhum momento. Imediatamente começou a explorar os ramos, bicando os brotos das árvores e pulando de galho em galho como um pássaro selvagem. Em pouco tempo a perderam de vista!


Fonte: http://www.oversodoinverso.com/evolucao-de-filhote-de-passaro-resgatado-e-sua-devolucao-a-natureza/ (Acessado em 23/08/2014 as 14:00).

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