terça-feira, 1 de agosto de 2017

Vídeos dos meus Passarinhos: Viveiro

De uns tempos para cá, eu resolvi filmar o cotidiano das aves que vivem aqui em casa e publica-los no Youtube. Eis aqui alguns dos vídeos feitos acerca do cotidiano deles, sendo que último vídeo é do pombo Pícles.


Vídeos dos meus Passarinhos: Fase I

De uns tempos para cá, eu resolvi filmar o cotidiano das aves que vivem aqui em casa e publica-los no Youtube. Eis aqui alguns dos vídeos feitos. Esse no caso é um vídeo de fotos.



Vídeos dos meus Passarinhos: Pombo Capitão

De uns tempos para cá, eu resolvi filmar o cotidiano das aves que vivem aqui em casa e publica-los no Youtube. Eis aqui alguns dos vídeos feitos.



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Você confia nos orgãos públicos de preservação?

Sempre que encontramos aves em situação de risco, sempre recomendamos de modo formal que a pessoa recorra aos órgãos especializados em tratar essas aves. Entretanto, todos sabemos que esses serviços estão em colapso e raramente atendem.

Geralmente nos indicam que levemos o animal para a unidade do IBAMA mais próximo, mas há boatos de que após os animais chegarem lá, são imediatamente eutanasiados ou são vendidas para criadores e particulares, caso tenham valor comercial. Há alguns dias encontrei no R7 ainda em 2013 uma reportagem onde os candangos se queixavam do 'excesso' ou acerca do suposto perigo que os pombos poderiam representar e eis  a resposta de um veterinário da Diretoria de Vigilância Ambiental:

Caso algum morador encontre filhotes, aves doentes ou debilitadas, pode colocá-los em uma caixa e entregar na Secretaria de Saúde, para que sejam sacrificados por meio de um anestésico que é inalado pelos bichos, de acordo com protocolo do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Sem mais.

Fonte: Arquitetura de Brasília favorece procriação de pombos, trazendo riscos à saúde dos moradores pelo portal R7 e acessado em 06/04/2017 as 05:20).


quarta-feira, 16 de março de 2016

Gatos e aves, uma combinação desastrosa


Diferente de outros animais como vacas, cavalos e porcos, os gatos iniciaram sua longa jornada rumo a domesticação por meio de uma associação definida pela ciência como comensalismo que é a relação entre espécies diferentes que se caracteriza por ser benéfica para uma, não causando prejuízo para a outra.

As primeiras evidências arqueológicas da associação entre gatos e humanos datam de 9.500 anos atrás. Acredita-se que a partir do desenvolvimento da agricultura, gatos selvagens passaram a frequentar, naturalmente, locais utilizados para estocar grãos em busca de uma de suas presas prediletas, os ratos.

Mas as origens ancestrais dos gatos domésticos, foram realmente desvendadas apenas em 2007, por um grupo de cientistas liderado por Carlos Driscoll, no estudo The Near Eastern Origin of Cat Domestication, publicado na revista científica Science. Os pesquisadores descobriram que todos os gatos modernos são descendentes de espécies selvagens nativas do Oriente.

Tudo começou há milhares de anos em uma região, conhecida pela invenção da agricultura moderna, atualmente denominada como Crescente Fértil que, compreende, Palestina, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano e Chipre, bem como partes da Síria, do Iraque, do Egito, do sudeste da Turquia e sudoeste do Irã.

Na época, curiosamente os gatos se auto domesticaram. Isso mesmo! Se, hoje, donos de gatos têm dificuldade em manter seus animais dentro de casa, há 10 mil anos, na região do Crescente Fértil era impossível manter um gato fora de casa.

Uma vez que esses felinos se mostraram animais extremamente úteis no controle de pragas, se tornaram imprescindíveis e, pouco a pouco, passaram a ser incluídos em longas migrações que atravessaram a Europa, a Ásia e a África. O sucesso da parceria entre gatos e humanos foi tão grande que, hoje, existem nada menos que 600 milhões de gatos domésticos em todo o mundo.

Mas, e as aves? Bem, para as aves esta histórica associação está longe de ser benéfica, muito pelo contrário: hoje, gatos domésticos são reconhecidos, no mundo todo, como uma das maiores ameaças globais à biodiversidade.

Como todos os felinos, os gatos são predadores muito eficazes. Não é mera coincidência que já tenham contribuído para a extinção de, pelo menos, 33 espécies de aves e continuem a ameaçar não apenas aves, mas uma ampla variedade de espécies de animais nativos, incluindo espécies ameaçadas.

O impacto ambiental provocado pelos gatos domésticos é tão catastrófico que a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) os incluiu na lista global das 100 piores espécies invasoras.

Segundo o estudo The impact of free-ranging domestic cats on wildlife of the United States, publicado em 2013 na revista Nature Communications, apenas nos Estados Unidos, todos os anos os gatos domésticos são responsáveis pela morte de aproximadamente 2,4 bilhões de aves. A pesquisa coordenada pelo renomado cientista Peter Marra analisou os dados de cerca de 90 publicações disponíveis na literatura científica.

Você pode imaginar, então, que apenas gatos de rua caçam para se alimentar e que gatos bem tratados não contribuem para a morte de aves, mas a caça é um comportamento instintivo da espécie e a fome não tem relação direta com a predação de aves.

Na verdade, o problema é ainda mais sério: a pesquisa científica Fearing the feline: domestic cats reduce avian fecundity through trait-mediated indirect effects that increase nest predation by other species, publicada em 2013 na revista Journal of Applied Ecology, pelo cientista Karl Evans e colaboradores, aponta que a mera presença de um gato próximo a áreas onde existam ninhos de aves desencadeia um efeito cascata que leva à predação de, pelo menos, o dobro de ovos e filhotes por outros predadores, além de alterar o comportamento dos pais, reduzindo em 33% a quantidade de alimento que será oferecido aos filhotes no ninho.

Gatos domésticos podem ser tão nocivos ao meio ambiente que já foram responsáveis pela destruição de alguns dos maiores paraísos de biodiversidade das aves, como o Havaí. Lá, a introdução de gatos por volta do ano de 1700 afetou a sobrevivência de milhares de espécies de aves nativas na ilha e coloca em risco espécies icônicas como o Vestiaria coccinea ou ‘I’iwi (ver vídeo).

Aqui no Brasil, os gatos foram levados ao Arquipélago de Abrolhos. Dezenas foram introduzidos na Ilha de Santa Bárbara, após infestação por ratos (Rattus rattus). Mas, em vez de caçar ratos, os gatos domésticos passaram a se alimentar dos ovos e dos filhotes de aves como o Atobá-branco (Sula dactylatra). Um desastre ambiental! Ainda hoje, mesmo após a remoção dos gatos da ilha, as taxas de sucesso reprodutivo das aves é baixa e o equilíbrio do ecossistema continua vulnerável.

Além de colocar diretamente em risco aves nativas, os gatos podem, por consequência, interferir na integridade de nossos ecossistemas, afetando espécies de aves que desempenham papel-chave no seu equilíbrio. Quando uma ave é extinta ou ocorre declínio populacional de determinada espécie, todo o funcionamento do ecossistema – que é formado por uma teia delicada de interações – acaba sendo drasticamente alterado.

Mas qual seria a solução?

A maneira mais simples e eficaz de eliminar o impacto provocado pelos gatos domésticos sobre a biodiversidade brasileira é conscientizar seus donos para que adotem os Princípios da Posse Responsável (Lei N.º 13.131).

Em prol da saúde e do bem estar dos próprios gatos, os animais devem ser mantidos em área delimitada, seja dentro de casa, em áreas cercadas por telas ou em outros locais que garantam tanto a segurança física dos animais quanto que impeçam que se tornem um risco real para as aves e, consequentemente, para o equilíbrio do meio ambiente.

Ao explorar áreas externas sem o acompanhamento de seus donos, os gatos se expõem a inúmeros riscos. Estimativas realizadas por entidades dedicadas à proteção animal apontam que a expectativa de vida de gatos mantidos em áreas controladas é até dez anos maior que a de gatos que acessam áreas abertas livremente.

Além dos riscos de brigas com outros gatos, ataques por cães, atropelamento, envenenamento e desorientação, os gatos ficam sujeitos à transmissão de doenças incuráveis. Uma das mais comuns, transmitida entre gatos, é a rinotraqueite, causada pelo herpes vírus, mas existem inúmeras outras doenças consideradas letais para os felinos como as viroses PIF, FIV e FeLV. A PIF (peritonite infecciosa felina) e a FeLV (leucemia felina) são transmitidas por contato e saliva, enquanto que a FIV (imunodeficiência viral felina) é transmitida durante brigas, por meio de machucados.

É também fundamental que políticas públicas direcionadas à retirada de animais domésticos de áreas e unidades de conservação, assim como também de praças e parques sejam cuidadosamente pensadas e implementadas levando-se em conta, sempre, os cuidados com a conservação da biodiversidade, mas também o bem estar e os direitos dos animais.

Ações e programas direcionados a retirada de gatos de áreas públicas devem, obrigatoriamente, estar acompanhados de campanhas para adoção e castração gratuita, além de projetos visando a conscientização dos futuros donos e de quem já tem gatos.

Lembre-se sempre: lugar de gato feliz, saudável e tranquilo, longe dos perigos da vida, em harmonia com o meio ambiente e a conservação das espécies de aves brasileiras é dentro de casa, ou passeando na coleira.

Fonte: http://conexaoplaneta.com.br/blog/gatos-e-aves-uma-combinacao-desastrosa/ (Acessado em 16/03/2016 as 16:50).

domingo, 13 de março de 2016

A mosca dos pombos



É comum repararmos quando nossas pombas adotam um comportamento estranho, ficam nervosas, se coçando de forma quase histérica e sacode suas patas como se quisesse se livrar desse incômodo de seu corpo. Certamente o que causa a irritação é grande, asquerosa e perigosa. Se trata da Pseudolynchia canariensis, conhecida como ‘mosca do pombo’.

Este inseto se encontra em algumas pombas em estado selvagem. Caminha pela pele, entre as penas. O inseto é veloz, robusta, de patas grossas e possui um potente ‘aparato’ sugador chamado hipostoma, semelhante ao dos carrapatos, com a qual pica e suga o sangue. Seus voos são curtos e rasos, mas indispensável para saltar entre um e outro pombo. Para qualquer pessoa é fácil identificara-las, são realmente asquerosas e seus movimentos semelhantes a de um caranguejo são inconfundíveis.

Além das picaduras e irritações que causam aos pombos, em grande quantidade estas moscas podem produzir anemia, sobretudo entre os filhotes e juvenis. A picadura que em si já é perigosa, já que cria uma área de inflamação que pode irritar muitas destas aves. Mas o mais importante é que podem transmitir doenças, pois se o pombo foi picado por um exemplar enfermo, contagiará outras com enfermidades como o vírus da peste aviária (Enfermidade de Newcastle), Ornitose. Salmonelas, Helmintíase e outras.

A mosca deposita seus ovos em partes dos dormitórios (ninhos), em rachaduras ou onde não tenha higiene suficiente, é por isso imprescindível manter o pombal limpo. Como tratamento, o mesmo produto que utilizamos para seus piolhos, será efetivo contra elas. Pode-se usar algodões embebecidos com loções contra piolhos humanos para irrita-las e retirar com a mão. Se algum pombo some, mesmo que seja por um único dia, deverá ser separado dos outros e desparasitado para evitar que as moscas ‘pulem’ para as outras pombas.

A MOSCA NÃO DEVE SER MOTIVO DE MEDO PARA HUMANOS, JÁ QUE NÃO PICAM AS PESSOAS E NÃO TEMOS NEM PENAS E NEM TEMPERATURA CORPORAL TÃO ALTA QUANTO A DAS AVES.

Artigo escrito por Clara Correa, foto de Noelia Martinez e traduzido por Felipe Lobo.

Como os pássaros explicam a importância evolutiva do amor


Casal de pássaros conhecidos como mandarim (Taeniopygia guttata), que divide algumas características com os humanos, como escolher aleatoriamente os parceiros e estabelecer pares monogâmicos. (Wolfgang Forstmeier/Malika Ihle et al / PLoS Biology 2015/VEJA)
Ao menos para os pássaros, o amor parece ter uma significativa importância evolutiva. De acordo com um estudo publicado nesta semana no periódico científico PLos Biology, as aves que elegem seus parceiros têm 37% mais filhotes saudáveis do que aqueles que são "forçados" a se reproduzir com parceiros escolhidos pelos pesquisadores. De acordo com a análise, esse vínculo entre os parceiros garante uma probabilidade maior de transmissão de genes para as próximas gerações, o que poderia ser uma explicação para a existência do vínculo amoroso na espécie humana.

Somos um dos poucos animais que formam casais, relativamente monogâmicos e duradouros, por mais que isso pareça pouco lucrativo do ponto de vista evolutivo - seria bem melhor espalhar os genes ao se relacionar com vários parceiros. No entanto, de acordo com os pesquisadores, o vínculo amoroso poderia trazer o benefício da maior produção e sobrevivência da prole, além do cuidado dos filhotes.

Casais separados - Para isso, os cientistas do Instituto de Ornitologia Max Planck, na Alemanha, testaram 160 pássaros conhecidos como mandariam (Taeniopygia guttata) - espécie que dividem algumas características com os humanos, como escolher os parceiros de forma aleatória e estabelecer casais monogâmicos. Os cientistas deixaram metade das aves escolherem e ficarem com seus parceiros enquanto a outra metade foi separada dos pares e recebeu um novo companheiro para se reproduzir. Todos os casais foram deixados em aviários para a reprodução.

Ao final, os pesquisadores contabilizaram o número de embriões e de filhotes vivos. Entre os pássaros que puderam escolher e ficar com seus parceiros, o número final de embriões sobreviventes foi 37% maior do que aqueles que tiveram os pares designados pelos cientistas. Além disso, no grupo do "casamento forçado", os ninhos tiveram quase três vezes o número de ovos não fertilizados, uma quantidade maior de ovos perdidos ou enterrados e mais filhotes morreram após o nascimento em comparação com os outros casais.

Os machos - selecionados ou não por suas companheiras - deram atenção igual para as fêmeas. Elas, no entanto, foram menos receptivas e copulavam com menos frequência com os pares que não escolheram. O grupo de "casamento forçado" também se mostrou mais infiel do que os outros.

Segundo os autores, os pássaros escolhem algumas características no parceiro que, provavelmente, promovem a reprodução e ajudam no cuidado dos filhotes - aspecto fundamental para a transmissão genética. Ou seja, apesar de parecer inexplicável, o vínculo amoroso, conhecido na espécie humana, seria capaz de favorecer o sucesso da reprodução, trazendo benefícios evolutivos importantes para a perpetuação da espécie.

(Da redação)

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/como-os-passaros-explicam-a-importancia-evolutiva-do-amor (Acessado em 13/03/2016 as 16:58).